sábado, 10 de outubro de 2009

Demónio Negro

Uma teia de aranha entre um poste,
Nevoeiro na varanda e fumo na mente,
Chegam para deixar de te pensar.

Adeus

Os cortes são feios ao espelho,
Como espinhos de rosas,
Sabem a cinza nos teus lábios.

Corri para longe,
Devagar, devagarinho,
Já não dói tanto meu amor.

Barcelona

Naquela cidade imunda,
Descobri mais de mim,
Que lendo no teu corpo,
As marcas que deixei.

Talvez por não te sentir tão perto,
Os meus males fizessem mais sentido,
No meio de fumos tricolores e nomes de pecadores,
Esqueci-me de quem eu era e passei a ser quem sou.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Queimado

A música arranha no canto do olho,
E eu não passo de hoje à noite.

A luz sabe a limão,
Ardem os ouvidos,
Já não dou mais para amar.

sábado, 4 de outubro de 2008

Dois Segundos


Mordi o céu para te ver, 
Cuspi gotas de chuva, 
Enroladas em caramelo, 
Para saber como te provar.

Ácido o sabor do teu beijo, 
Desceu em mim, 
Calçada branca e avermelhada,
“Ops!”, cortei-me sem querer!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Cansado


O sangue escorre e a vida definha,
Para longe dos meus braços,
Secos de te ter ao colo.

Carrego o peso incomensurável,
De ser único, perdido entre espinhos,
Que já não sabem picar a pele e magoar.

A alma bebe as lágrimas,
Gritadas para a noite,
Cansada de me ouvir.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

És-me Suspiros


O ar revolta-se,
Nos contornos nus,
Entrelaçados,
Afogados em vapores de nicotina,
E talvez algo mais.

Na minha cama de cinzas,
És-me suspiros meu amor,
O esgar doce da dor afastada,
Retornado ao fim das horas de loucura.

Antologias de toque navegam,
Em mares de suor,
Gotas retorcidas,
Paixão duvidosa,
Perdem-se na névoa da manha.